quinta-feira, 19 de março de 2009

Falando bonito parte 2

Meus pais, meu cais
Não importa para onde me leve a vida
Seja para perto, ou mesmo para o inverso
Serão sempre o ponto de partida
E o eterno cais de regresso


Satisfações

Quem muito se preocupa em dar satisfação acaba por esquecer-se da sua.


Pontos de vista
Há quem só queira ver o que não existe
Há quem só veja no triste a razão do seu existir
Mas há quem enxergue por outro lado
E vê ali, do seu lado, uma razão para se sorrir


O que os olhos não veem

Enquanto uns acreditam que o amor é cego, outros fecham os olhos para enxergar a quem desejam.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Falando bonito

Eu já contei aqui que depois de ter mostrado algumas coisas que escrevi a uma amiga, recebi o seguinte incentivo: - "Legal, Allan! O poeta é o chato que fala bonito."
Sendo assim, sigo eu tentando falar bonito:


Livre confiar

Liberdade é abrir mão do medo de dizer adeus
É transformar vontade em motivo
É abster-se dos possessivos
Os teus, os meus.

Confiança é enfrentar as críticas por desistir
É ver na utopia a saída
É curar-se de uma ferida
Sem se ferir.



Me, mim, comigo
Estar só é abster-se de tudo para ganhar o todo
Seja o tempo do mundo ou o amparo do engodo
É o momento único de não deixar-se pra depois
Antes doce solidão que azedume a dois.




L`art Pour Tous*

A arte é plena porque ganha corpo através do manifesto da alma.
E a alma de um artista não se restringe à sua imensidão e transborda através da inspiração.
A arte é pura porque vem da mistura. De idéias, de estilos, de sentimentos, misturas de vazio. A arte é protesto porque não se cala. E por isso é a voz da liberdade.
Uma vez livre, a arte é para todos.

* Feita para o blog http://www.pirecco.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pedras no Sapato

Um tempo atrás postei a letra "Foda-se" aqui no blogue, mas ela ainda não havia sido musicada. Pois agora já da pra soltar a voz junto com o Thiago Corrêa: Foda-se!
Eu falo por mim: aquelas crianças fazendo malabarismo a cada esquina, realmente me atiram pedras no sapato. O que eu faço a respeito? A- Não dou dinheiro, afinal a bolinha caiu duas vezes; B- Tenho um lapso de bondade e alivio minha culpa doando um resto de Big Mac (picles com gergelim); C- Dou uma moeda e digo que estou incentivando a arte no país; D- Me certifico que estou com as portas trancadas, ligo o rádio, ligo o ar, ligo o foda-se; E- Me atiram pedras no sapato? Não entendi essa parte.
Será que o problema não é um pouco maior que isso? Será que é assim que se resolve?
Curtam o som, repensem a letra, questionem,comentem e argumentem. Ou, mais uma vez. liguem o foda-se.

Foda-se
Thiago Corrêa/Allan Dias Castro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Meu lero-lero não é Let it be


A Nadine foi uma das primeiras músicas que fizemos para o projeto do Thiago Corrêa. Ele chegou com esse de refrão pronto, que é uma brincadeira com a Nadine do bom e velho (bem velho) Chuck Berry. Enquanto o Thiago somava idéias musicais com o Rodrigo Allende (o glorioso Ganso), eu fiz a letra das estrofes que faltavam inspirado nesse romance entre uma roqueira e um sambista - que tem lá suas diferenças, mas que no fim acaba tudo em samba-rock.
Tá aí o resultado.

Nadine
(Thiago Corrêa/Rodrigo Allende/Allan Dias Castro)



Olha Nadine não me leve a mal
Só não critique o meu carnaval
Não falo mal do tal de rock'n roll
Até arrisco um Hey Hou Let's Go

Esse presente que você me deu
Valeu tentar, mas só gastou dinheiro
Um adesivo Elvis não Morreu
Calça de couro já virou pandeiro

Nadine o nosso amor é assim
Nadine sua guitarra com o meu tamborim
Seu coração é rock'n roll o meu é samba
Mas a gente ta afim
Seu coração é rock'n roll o meu é samba
Mas a gente ta afim

O meu inglês nunca foi muito bom
Nem enrolando I`m a Rolling Stone
Faço uma rima você logo ri
Meu lero lero não é Let it be

Eu digo samba você distorção
Se o Chuck "berre", eu tenho que berrar?
Mas Jimy Hendrix peço perdão
O meu cavaco eu não vou queimar

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Poeta

Me taxaram alma perdida
Sem futuro e porra loca
É que um copo de bebida
Me da muita água na boca

Busco rimas na verdade
Ou na ilusão completa
Eu sou preso à liberdade
Minha sina é ser poeta

Seja bem-vinda, inspiradora madrugada
Hora extra é outra rodada, minha rotina é a boemia
Seja bem-vinda, inspiradora madrugada
Meu escritório é na calçada, o meu oficio é poesia


Toda hora é um bom momento
Tudo que vier eu topo
Improviso um instrumento
Tiro um samba no meu copo

Busco rimas na verdade
Ou na ilusão completa
Eu sou preso à liberdade
Minha sina é ser poeta

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Bicho Homem

Essa música é uma das minhas parcerias com o Pedro Guisso, um grande amigo e também o cara que me incentivou a entrar nos Festivais de Música. O Grupo Canto Livre ganhou prêmio de Melhor interpretação com a "Bicho Homem" no Festival do ano passado. A gravação dela não é a final, mas como gosto muito dessa letra, e o tema segue cada vez mais em voga, resolvi postá-la.

Bicho Homem
Pedro Guisso/Allan Dias Castro



Mãe me perdoa se eu tirei o teu coro
E vi o teu choro virar cachoeira
Se tirei o teu ar quando te fiz queimar
E se abrir em clareira

Mãe me perdoa, se puder não se zangue
Se tirei o teu sangue e tua pureza
Se tentei te matar só pensando em herdar
De ti Mãe Natureza.


Primata que mata e desmata a mata atrás de riqueza
Bicho homem, essa é sua natureza
Selvagens bobagens que agem e reagem às suas fraquezas
Bicho homem, essa é sua natureza

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Foda-se

Letra: Allan Dias Castro

Malabaristas da miséria
Me atiram pedras no sapato
Mas minha pressa é coisa séria
E meu desprezo é imediato

Pode vir com cara feia
Pode vir com sua fome
Eu não enxergo a dor alheia
Eu fecho o vidro você some

Eu entro no meu carro e ligo o foda-se
Não esquento a cabeça, tenho ar condicionado
Eu entro no meu mundo e ligo o foda-se
E pra que nada me aborreça, tenho o coração blindado

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eu prefiro fazer diferença na vida de alguém

Quem me conhece há tempos sabe que eu realmente já usei gravata e até topete. Nesta fase eu abandonei banda em que eu tocava e parei de ouvir Alceu. Resumindo, meus vinte anos de boy "that´s over baby". Eu explico: eu tinha que arrumar emprego, eu tinha que ter dinheiro, eu tinha que ser alguém na vida. E no futuro, o que eu teria? Uma enorme frustração por ter perdido o sono correndo atrás de um sonho que não era meu. Então eu resolvi largar tudo e ir atrás do que eu realmente gosto, que é fazer diferença na vida das pessoas através das coisas que escrevo. Pra mim é como se eu realmente estivesse morando em uma ilha, isolado de pessoas que pensam que deixar algo de valor é deixar uma bela herança. Salve os Zés Ninguém, aqueles que percebem que a vida é muito mais que ficar esperando os finais de semana para reclamar que segunda-feira já está chegando. E foi com este salve que o Thiago Corrêa se identificou e fez essa obra-prima que separei pra vocês ouvirem. Depois de ouvir essa música eu digo o seguinte: eu sou um Zé Ninguém. E mais,pra quem nasceu chorando, até que eu to feliz. E você?

Zé Ninguém
Thiago Corrêa/Allan Dias Castro

terça-feira, 11 de novembro de 2008

frases de msn

Essa é uma pequena contribuição àqueles que gostam de se expressar através de frases de msn, mas nem sempre tem um trocadalho na cabeça. As frases são sempre inspiradas ou retiradas das minhas letras. As últimas postagens estarão sempre em negrito, fique à vontade para escolher a sua com a cobrança de apenas indicar o blog sempre que possível.

- Antes doce solidão que azedume a dois.
- O amor é um sonho só pra quem dorme com alguém do seu lado.

- O tempo leva o passado, jamais o que passamos.
- Liberdade é abrir mão do medo de dizer adeus.
- Pra quem nasceu chorando, até que eu to feliz.
- Um copo de bebida me dá muita água na boca.
- Só perco o sono pelos meu sonhos.
- Só cumpro horário de descanso.
- De que adianta usar gravata e estar com a corda no pescoço.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

11º Festival de Música de Porto Alegre

Ontem eu passei a tarde vendo vídeos dos festivais de música dos anos 60/70. Como é bom ouvir artistas que valorizam o conteúdo e prezam por falar de alguma coisa além de corações partidos. Eu sempre digo que a verdade de um compositor é a realidade do intérprete, e para mim, como letrista, quando encontro alguém disposto a se posicionar diante de uma situação, ou fazer a diferença através de uma opinião, a satisfação é imensa.
É nesse clima que apresento pra vocês a versão produzida pelo meu amigo Thiago Corrêa da música Sonego, uma letra minha musicada pelo Bruno Morais, que simplismente quebrou tudo ontem no Festival de Música de PoA, garantindo o segundo lugar dentre os mais de 150 inscritos. Aproveito pra mandar meu abraço a toda galera da banda e aos demais participantes dessa grande festa. Falou, desliga a TV e te liga na letra! Abrasss


Sonego
Bruno Morais / Allan Dias Castro




Desde cedo eu aprendi
Onde era meu lugar
Mas eu nunca engoli
As sobras do seu jantar

Não me diga aonde ir
Não me diga o que fazer
Meu agora, meu aqui
Não dependem de você

Sou nego, não nego, e vou sonegar
Tudo que for imposto ao gosto do meu paladar
Sou nego, não nego, e vou sonegar
Tudo que for imposto ou oposto ao meu ser-estar

Eu sempre vivi no morro
Mas não morro sem viver
Sem ter que pedir socorro
Quando precisar comer

Eu não quero piedade
De quem nunca deu um piu
Escondendo a verdade
No sangue a cor do Brasil


O nosso país é puro, mas daquele jeito
Pura hipocrisia, puro preconceito
Você disse um dia que ser negro é um fardo
E esclarece, não é negro, é pardo
Falou que na família nunca teve um mulato
E passa o tempo todo escondendo os retratos
Porque eles vão revelar o que eu já descobri
A bisavó pulava a cerca toda noite com Zumbi.


Sou nego, não nego, e vou sonegar
Tudo que for imposto ao gosto do meu paladar
Sou nego, não nego, e vou sonegar
Tudo que for imposto ou oposto ao meu ser - estar